O que muda para laticínios com a reforma tributária
A reforma tributária mexe justamente onde a indústria de laticínios tem a conta mais sensível: no imposto que incide sobre o produto e no crédito que se consegue recuperar ao longo da cadeia. Vale entender os dois lados separadamente.
Leite cru entra com alíquota zero
O leite cru passa a integrar a cesta básica nacional com alíquota zero. Para quem capta leite de produtor, isso muda a estrutura de custo da entrada e, por consequência, a formação de preço de tudo o que sai da fábrica.
Derivados na proposta de redução de 60%
Queijo, iogurte e requeijão estão na proposta de redução de 60% sobre a alíquota padrão. É importante ler essa frase pelo que ela é: uma proposta ainda em regulamentação. O texto pode mudar até a versão final, e é por isso que nenhum planejamento sério deve ser fechado hoje tratando esse número como definitivo.
O crédito passa a valer mais
O ponto que costuma passar despercebido é o sistema não cumulativo. A tendência é ampliar o aproveitamento de crédito sobre frete, energia, insumos e embalagem — quatro linhas que pesam bastante no custo de um laticínio e que hoje, em muitos casos, ficam pelo caminho.
Na prática, isso significa que o cálculo de ICMS para a indústria de laticínios muda de lógica. Fábrica que hoje não controla bem a entrada de energia e de embalagem vai deixar dinheiro na mesa quando o novo sistema estiver valendo, porque crédito que não é documentado não é aproveitado.
O que fazer agora
A resposta honesta é: organizar a casa antes da virada. Quem chega na transição com a escrituração em dia, o custo por litro conhecido e as notas de entrada bem tratadas aproveita o novo sistema desde o primeiro mês. Quem chega com pendência gasta os primeiros meses corrigindo o passado em vez de capturar o benefício.
Não é um tema para acompanhar de longe. É um tema para chegar preparado.